C.S. Lewis é idolatrado por muitos evangélicos como um grande defensor do cristianismo. Porém, quando examinamos suas doutrinas à luz da Escritura como axioma último, vemos um homem que comprometeu seriamente a fé com a razão autônoma e o pensamento moderno.
Lewis aceitou a evolução como fato científico e reinterpretou a criação como um processo onde Deus aperfeiçoou um animal até transformá-lo em homem (Cristianismo Puro e Simples e O Problema do Sofrimento). Para ele, Adão e Eva não foram pessoas literais, mas uma “consciência” que surgiu num organismo animal que depois caiu. O Gênesis inicial seria mítico ou lendário, uma história semita pagã elevada por Deus.
Ele rejeitou a Expiação Penal Substitutiva como essencial ao evangelho, defendendo que várias teorias servem. Abraçou uma forma de inclusivismo: pessoas de outras religiões podem ser salvas por Cristo sem conhecê-Lo explicitamente. Defendeu o purgatório, oração pelos mortos e uma visão suavizada do inferno (portas fechadas por dentro, possivelmente não eterno).
Lewis usava a razão humana como juiz final: quando a Bíblia apresentava algo que ele considerava “atrocidade” (como as guerras de Josué), preferia questionar a infalibilidade da Escritura a aceitar um Deus que ele julgava cruel.
Aqui está o problema central: Lewis nunca adotou a Escritura como axioma único e auto-suficiente. Ele permitiu que sua razão, cultura e sensibilidade moderna corrigissem a Palavra. Isso não é cristianismo puro. É cristianismo diluído pelo humanismo.
O cristão reformado deve ler Lewis com discernimento, aproveitando o que tem de bom (como sua defesa da razão contra o naturalismo), mas rejeitando firmemente suas concessões. A Escritura não precisa de correções de Oxford. Ela julga todo pensamento humano.
Deus não precisa de intelectuais que negociam Sua Palavra para torná-la palatável. Precisa de servos que se curvam inteiramente diante dela.
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