Por Yuri Schein
Muita gente hoje anda por aí afirmando que filosofia é “não buscar a verdade” ou que niilismo é “liberdade de pensamento”. Eis o primeiro ponto de confusão: toda afirmação filosófica pressupõe a verdade, ainda que a negue. Dizer “não há verdade” já é um ato de contradição. Se a filosofia se propõe a pensar, ela necessariamente busca um primeiro princípio, uma base absoluta sobre a qual tudo mais repousa.
1. O que é o primeiro princípio?
O primeiro princípio é aquilo que:
a. É necessário: não depende de nada para existir;
b. Não contém contradições internas: se tivesse contradições, não poderia sustentar nada;
c. Responde às questões últimas da vida: origem, finalidade, moralidade, sentido, mal;
d. Fundamenta lógica, razão e moralidade.
Como Gordon Clark já enfatizou, não devemos “provar” Deus empiricamente, mas podemos reconhecer que sem Ele nada é inteligível. A tentativa de basear conhecimento em empirismo ou racionalismo é como construir um castelo na areia e depois reclamar que ele desabou.
POR QUE O EMPIRISMO FALHA
O empirismo diz: “Só o que vejo, ouço ou toco é confiável”. Parece elegante, mas é logicamente autodestrutivo:
Para afirmar que os sentidos são confiáveis, o empirista precisa pressupor que eles funcionam.
Qualquer tentativa de prova sensorial é circular, porque depende dos sentidos que se quer provar.
Não há espaço para questões últimas, pois o empirismo só conhece o contingente.
Ou seja, confiar no empirismo é, como diz Vincent Cheung, “usar uma régua quebrada para medir o universo”.
POR QUE O RACIONALISMO FALHA
O racionalismo moderno insiste: “A razão humana é suficiente para descobrir a verdade”. Beleza, mas vejam o problema:
A razão finita não pode acessar o absoluto;
Sem um primeiro princípio, qualquer dedução é contingente e instável;
Sistemas racionais independentes do Criador se contradizem ou levam a conclusões absurdas.
Clark e Cheung lembram que todo sistema não-cristão é dependente de Deus, ainda que negue isso. Negar Deus não é neutro; é sempre trocar a base absoluta por um fundamento arbitrário, frágil e inconsistente.
O PRIMEIRO PRINCÍPIO É NECESSÁRIO
Se não houver um fundamento absoluto, nenhum conhecimento é possível, nem mesmo a dúvida. A mente humana é estruturada para presumir um primeiro princípio. Tentar fugir disso é como querer caminhar sobre o ar: inevitavelmente, cairá na contradição.
RESPOSTA ÀS QUESTÕES ÚLTIMAS DA VIDA
O primeiro princípio deve responder:
1. Origem: De onde viemos?
2. Finalidade: Para onde vamos?
3. Mal: Por que existe mal?
4. Sentido: Qual é o propósito da existência?
5. Moralidade: O que é certo ou errado?
Empirismo e racionalismo falham aqui. O empirismo só conhece fenômenos; o racionalismo só deduz dentro de limites finitos. Só Deus: Ser necessário, autoexistente, eterno e sem contradições, fornece respostas completas.
Como Cheung ironiza, qualquer tentativa de fundar ética ou lógica fora de Deus é como escrever regras de trânsito para planetas que não existem.
A INEVITABILIDADE DE DEUS COMO PRIMEIRO PRINCÍPIO
Negar Deus não nos deixa livres; nos deixa escravos da contradição.
Toda negação da verdade já pressupõe a verdade.
Só o Criador sustenta lógica, moral e sentido.
Filosofia que não reconhece Deus é teatro de vaidades, não pensamento.
Em última análise, reconhecer o primeiro princípio é reconhecer Deus. Não há escape. Toda filosofia, mesmo niilista, depende do que nega. E isso, meus caros, é o verdadeiro drama da razão humana: sem Deus, nem a dúvida se sustenta.
Segue a tabela comparativa: Primeiros Princípios vs Sistemas Humanos na imagem a seguir


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