A Ilusão da “Vontade de Deus” Sentimental


Por Yuri Schein 

Muitos cristãos vivem perdidos, sempre atrás de “sinais”, “sensações” e “paz no coração” para descobrir a vontade de Deus. Oram, jejuam, pedem confirmações, olham para o céu esperando uma voz ou uma sensação quente no peito. Isso não é espiritualidade. É paganismo evangélico.

A Escritura não apresenta um Deus que esconde Sua vontade como se fosse um jogo de esconde-esconde. Deus revelou Sua vontade de forma clara e suficiente na Bíblia. A vontade preceptiva de Deus está expressa nos mandamentos: santidade, obediência, amor ao próximo, fugir da imoralidade, buscar sabedoria, trabalhar, casar-se (se não tiver dom de celibato), criar os filhos na disciplina do Senhor.

A chamada “vontade soberana” de Deus (o que Ele decretou que acontecerá) não precisa ser descoberta com sentimentos — ela simplesmente acontece. Nosso dever é obedecer ao que Ele já mandou, e não ficar paralisados esperando uma revelação especial.

Essa busca por “vontade específica” é, na maioria das vezes, uma forma disfarçada de evitar responsabilidade. O homem prefere dizer “Deus não me deu paz sobre isso” a assumir as consequências de uma decisão madura baseada na Palavra.

A teologia da ação divina corta essa ilusão pela raiz. Deus não está esperando sua decisão autônoma para depois confirmar com uma sensação. Ele é quem age, quem inclina o coração, quem abre portas e quem fecha. O cristão maduro não vive de impressões subjetivas, mas de obediência objetiva à Escritura.

Pare de pedir “sinais” como um fariseu. Leia a Bíblia, ore com entendimento, use a sabedoria que Deus dá e tome decisões com temor a Deus. Quem anda na luz da Palavra não tropeça no escuro atrás de sentimentos.

O axioma é a Escritura revelada, não o coração enganoso do homem.

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