por Yuri Schein
A procrastinação é a liturgia silenciosa do ímpio: ele adora o amanhã como se fosse um deus. Enquanto a Escritura diz: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hebreus 3:15), o procrastinador responde: “Amanhã talvez.” Mas o amanhã é o altar onde morrem as resoluções que Deus ordenou para o agora.
Calvino nos lembra que “a obediência retardada é desobediência” pois quem adia o cumprimento da vontade de Deus demonstra não submissão, mas orgulho mascarado¹. Lutero, por sua vez, descreve a procrastinação como “a fé que adia o arrependimento, mas nunca o pratica”². O problema, portanto, não é apenas psicológico; é teológico. Procrastinar é duvidar que Deus governa o tempo, e que cada segundo pertence à Sua providência.
Enquanto o mundo justifica a demora com slogans de autoajuda, o cristão sabe que cada instante é um decreto executado por Deus. O ocasionalista reformado entende que Deus é o Autor de cada momento e resistir ao agora é resistir ao próprio Autor. “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Salmos 90:12).
Não é falta de tempo é falta de temor.
Não é cansaço é incredulidade disfarçada de preguiça.
Quem teme a Deus, obedece hoje.
🕰️ “O tempo não é seu, é de Deus. Usá-lo mal é um ato de idolatria.”
Notas:
¹ João Calvino, Institutas da Religião Cristã, III.7.5.
² Martinho Lutero, Sermão sobre a Preguiça Espiritual
, WA 10.3, p. 45.

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