O Culto da Saúde Mental



Por Yuri Schein

Vivemos a era do culto ao espelho. O homem moderno, tão orgulhoso de sua descrença, inventou para si um novo altar: o da saúde mental. Ele não dobra mais os joelhos diante de ídolos de madeira, mas diante de diagnósticos. Troca a confissão de pecados pela “terapia do autoconhecimento”, substitui o arrependimento pela “autoaceitação” e troca o consolo do Espírito Santo pela voz calmante do psicólogo que cobra por hora.

O antigo fariseu dizia: “Senhor, graças te dou porque não sou como os demais homens”. O moderno diz: “Sou um sobrevivente, estou cuidando de mim mesmo”. Ambos estão igualmente mortos, e igualmente convencidos de que são espiritualmente saudáveis. A diferença é apenas estética. O fariseu usava filactérios; o homem contemporâneo usa diagnósticos.

A Escritura não diz “conhece-te a ti mesmo”, mas “nega-te a ti mesmo” (Mt 16.24). O evangelho não é um convite para gostar mais de si, mas para morrer para si. Cristo não veio ajustar teu humor, veio crucificar teu ego. E o Espírito Santo não é um terapeuta celestial, é o Deus vivo que destrói e recria corações.

O evangelho da saúde mental é uma fraude porque promete paz sem arrependimento, amor próprio sem santidade e cura sem cruz. Ele transforma o pecado em “trauma”, o vício em “transtorno”, e a rebelião em “falta de autoestima”. É a psicologia tentando batizar o inferno com vocabulário técnico.

O apóstolo Paulo, que entendia mais de mente do que qualquer terapeuta, escreveu: “Quem se gloria, glorie-se no Senhor” (1Co 1.31). Ou seja, o verdadeiro equilíbrio mental é adorar o Deus certo — e não amar a si mesmo de modo mais eficiente.

A idolatria moderna não se chama Baal. Chama-se autocuidado. E sua liturgia é feita de espelhos, diagnósticos e hashtags de autoajuda. Enquanto isso, Cristo ainda diz: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.

O problema do homem não é que ele está cansado. É que ele está em pecado.


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