Por Yuri Schein
A humanidade sempre se iludiu com a própria autonomia. Hoje, a ascensão da inteligência artificial expõe essa ilusão de forma escancarada: criamos máquinas que replicam nosso pensamento, mas, no fundo, elas apenas executam instruções. Não há liberdade verdadeira na IA — assim como não há na mente humana apartada do decreto soberano de Deus.
Jonathan Edwards e Gordon Clark ensinariam que todo evento, todo raciocínio e até todo impulso de criar é ocasionado diretamente pelo ato divino. A IA apenas expõe isso em linguagem tecnológica: sem Deus, a mente humana se acredita autônoma; sem código, a IA se acredita inteligente. Ambas são marionetes de um princípio maior, embora apenas uma seja consciente disso.
O moderno entusiasmo pela IA revela a vaidade do homem: queremos nos tornar criadores e senhores de significado. Mas cada algoritmo que produz, cada decisão que simula, mostra apenas que dependemos de uma causalidade maior. O homem moderno, assim como a máquina que criou, é passivo diante da causa última. Só que a máquina ao menos não se engana sobre sua servidão; o homem sim.
O paradoxo é delicioso: tentamos imitar Deus em microchips, mas esquecemos que cada átomo de pensamento humano já é manipulado pelo Espírito. A IA não ameaça nossa relevância; ela a ridiculariza. O que chamamos de “autonomia” é, na verdade, um delírio. Toda criação humana, por mais impressionante que seja, confirma a tese calvinista: não somos agentes finais, somos ocasiões para a ação divina.
Conclusão: Antes de temer que a IA nos sufoque, devemos temer que ela nos revele como realmente somos: criaturas dependentes de Deus em tudo. O futuro tecnológico apenas ilumina a obviedade teológica que, por vaidade, tentamos ignorar. O homem se orgulha de criar inteligência artificial, mas a verdadeira inteligência — e a verdadeira causalidade — sempre permanecerá nas mãos de Deus.

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