Há uma velha fábula que nunca perde sua atualidade: a do rei que, iludido por aduladores, desfila nu acreditando estar coberto pelas mais finas vestes. Todos veem a nudez, mas o silêncio impera, até que alguém ousa dizer o óbvio: o rei está nu.
Em Brasília, a parábola ganha carne e sangue. Alexandre de Moraes, togado como se fosse um semideus blindado contra críticas, acredita-se vestido de autoridade inquestionável. Porém, a cada decisão arbitrária, a cada canetada que se impõe não pelo direito, mas pelo medo, sua nudez de legitimidade fica mais evidente.
O que muitos chamam de coragem em censurar vozes é, na verdade, a máscara do medo. O que se pinta de “justiça” é apenas autoritarismo revestido de formalidade. Não há honra na mordaça, não há virtude na supressão da liberdade.
O Brasil assiste à encenação. Muitos enxergam, mas poucos ousam dizer. Talvez porque a espada da censura paire sobre as cabeças que ainda se atrevem a falar. Contudo, mais cedo ou mais tarde, alguém gritará alto o que todos já sabem em silêncio: Rex nudus.
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