por Yuri Schein
Essa audácia de tentar “salvar” Deus com categorias aristotélicas é risível! O ocasionalismo, por outro lado, resolve o problema com simplicidade digna de sarcasmo divino: todo evento, grande ou pequeno, é causado por Deus, e ponto final. Não há necessidade de recorrer a essas “substâncias” imaginárias, nem a supostos “acidentes” que Aristóteles adorava inventar para preencher buracos metafísicos. O mal não é um mito abstrato; é ação real do homem, decretada e ocasionalizada por Deus para cumprir propósitos santos. E não há nada de injusto nisso, pois tudo que Deus faz é justo por definição. A Bíblia não nos ensina que Deus deva obedecer a categorias humanas; ao contrário, textos como Gênesis 45.8 e 50.20, Juízes 14.4, Salmos 119.36, 141.4, Isaías 63.17, Ezequiel 14.9 e Apocalipse 17.17 afirmam, em diferentes contextos, que Deus ordena, dirige e até usa o pecado alheio para Seus desígnios. Quem quiser negar, que enfrente a Escritura, não o espantalho filosófico de Aristóteles.
Enquanto o filósofo grego enredava-se em empirismo, indução e substâncias de palha, o ocasionalismo simplesmente observa: Deus decreta, Deus causa, Deus governa. A tentativa de Aristóteles de explicar o mundo pelo que se vê é frágil: indução falha, empirismo engana, metafísica circula sobre si mesma e ainda é vulnerável ao gênio maligno de Descartes. Nada disso toca o Deus da Escritura, que destrói tais esquemas sem esforço. Tiago, aliás, não está preocupado com metafísica grega; ele fala de responsabilidade pessoal. O homem é culpável, mesmo que não possa escolher fora da vontade de Deus. Endurecimento de corações? Decretado. Soberania de Deus? Executada. Responsabilidade humana? Inalterada.
Em resumo: enquanto Aristóteles ainda se segura em substâncias, acidentes e sentidos falíveis, o ocasionalismo não precisa de desculpas. Ele reconhece a realidade do mal, a causa última em Deus e a culpa real do homem, sem contradizer a Escritura. A soberania divina não é um quebra-cabeça para se encaixar em categorias gregas; ela é absoluta, destruidora de falsas filosofias, e profundamente justa. E aqui, caros filósofos de palha, o boneco não é Deus, é a sua própria metafísica.

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