OCASIONALISMO E SENSU IN DIVISO: REDUZINDO A ESCOLÁSTICA AO PÓ

 


Por Yuri Schein 

Se você achou que o sensu in diviso e sensu composito eram só truques sofisticados de escolásticos para enganar estudantes desavisados, prepare-se: os exemplos que eles mesmos usam caem no chão como um castelo de cartas diante do Ocasionalismo. Aqui, vamos analisar alguns clássicos e mostrar como, quando levados à lógica, se transformam em puro absurdo.

Comecemos com o exemplo do dado. Os escolásticos adoram argumentar: “Olhe, um dado tem ontologicamente seis lados possíveis para cair. Antes de rolar, ele está sensu composito, considerando o todo da situação, mas, quando cai, está sensu in diviso, um lado específico se manifesta. Portanto, há um poder de causalidade inerente no dado, e o Ocasionalismo está errado!”

Ora, vamos colocar isso em termos de realidade: quem está alegando que o dado tem poder de causar o próprio resultado? Ele não decide, não escolhe, não causa nada. Ele apenas ocorre como ocasião para Deus agir. Se você realmente acredita que o dado tem causalidade intrínseca, então você também terá que admitir que a gravidade é um agente consciente, ou que a própria rotação da Terra decide qual lado ele mostrará. Que brilhante construção escolástica! Mas o Ocasionalismo, aquele calvinista realista que não se impressiona com truques de palavras, responde: não, Deus causou cada resultado do dado. Todo o resto, lados, roladas, combinações, é apenas matéria sendo usada como ocasião para Sua vontade. O dado não tem poder; só parece que tem porque você está olhando a situação sensu composito ou sensu in diviso.

Outro exemplo clássico: a mão que abre e fecha. Os escolásticos argumentam que a mão, em um caso, está sensu composito (a mão inteira), e em outro caso está sensu in diviso (articulações separadas). Se a mão consegue abrir ou fechar, então, na lógica deles, ela tem poder inerente de causalidade, e, portanto, o Ocasionalismo estaria errado.

Mas veja só: você está realmente alegando que ossos, tendões e músculos têm vontade própria? Que eles decidem se abrirão ou fecharão independentemente de Deus? Que cuteza! O Ocasionalismo responde com a mesma simplicidade devastadora que já aplicamos ao dado: Deus causou a abertura, Deus causou o fechamento. Cada articulação, cada músculo, cada fibra foi manipulada por Ele. A mão não tem poder; apenas recebe o ato divino. Toda a distinção entre sensu composito e sensu in diviso, aqui, é irrelevante. É como discutir se a sombra de um relógio funciona por si só enquanto o Sol não existe.

Outro absurdo frequentemente citado: o movimento de um animal ou planta, que muda de posição ou se desenvolve. Os escolásticos adoram dizer: “Quando a planta cresce, em sensu composito é o todo; em sensu in diviso, partes específicas se expandem; portanto, há causalidade intrínseca no organismo!” Novamente, a resposta ocasionalista esmagadora: não existe causalidade intrínseca na planta, no animal, nem na célula, nem no átomo! Tudo é ocasião para a ação soberana de Deus. Crescimento, movimento, reprodução, reação, tudo é causado por Deus. O resto é apenas a ilusão de causalidade.

Se ainda assim você insiste, lembre-se do argumento de Cheung: em “Duas coisas bobas”, ele deixa claro que o senso in diviso e composito, quando aplicados para demonstrar causalidade humana, não passam de bobagens que parecem sofisticadas, mas são logicamente irrelevantes. Em “Deus o Autor”, Cheung enfatiza que Deus é o autor de toda causalidade, e qualquer tentativa de atribuir poder real a objetos ou partes é uma distorção flagrante da realidade. E em “Não existe sinergismo real”, ele sentencia: nenhum ser finito, nenhum objeto, nenhum músculo, dado ou articulação possui poder causal verdadeiro. Tudo é meramente ocasião.

Portanto, qualquer exemplo que os escolásticos criem, seja dado, mão, planta ou animal é reduzido a pó diante do Ocasionalismo. Separar, compor, dividir, somar, não importa: nenhuma distinção humana altera o fato de que Deus é a causa de tudo, e qualquer aparente causalidade “intrínseca” é pura ilusão filosófica.

Concluindo, tentar refutar o Ocasionalismo com sensu in diviso ou sensu composito é como usar palitos de fósforo para segurar uma muralha de pedra: elegante na intenção, ridículo na prática, e totalmente irrelevante diante da causa soberana e absoluta de Deus.


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