por Yuri Schein
Todo século fabrica seus ídolos, mas os piores deles são sempre religiosos. O mundo não teme tanto a pornografia quanto teme a soberania de Deus. É curioso: falam em liberdade, mas quando a Escritura diz que “Deus tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer” (Rm 9:18), o homem treme, vocifera, espuma de raiva. A soberania divina ofende mais do que o pecado humano.
O arminiano, por exemplo, fica escandalizado não com o adultério, mas com a ideia de que Deus decretou até o adultério para cumprir Seus propósitos. O católico romano engasga não com a idolatria grotesca, mas com a simples afirmação de que o inferno não precisa de purgatório algum, pois Cristo não morreu “em parte”, mas plenamente pelos Seus. O liberal teológico não se incomoda com a depravação moral das massas, mas com a audácia de alguém afirmar que o dilúvio realmente aconteceu.
E assim, os religiosos modernos provam que o problema nunca foi intelectual, mas espiritual. Não é falta de evidência, é ódio ao Deus verdadeiro. Querem um ídolo controlável, um Cristo domesticado, um Espírito Santo convertido em animador de auditório.
A ironia é que, quanto mais tentam proteger o “livre-arbítrio” humano, mais barateiam a graça de Deus. O pelagiano pelo menos tem a coragem de dizer que a salvação é por obras. O semi-pelagiano disfarça melhor: ele inventa uma graça “preveniente”, um empurrãozinho divino, para que o homem complete com seu mérito. É como se Cristo tivesse feito 99% e o pecador, com seu brilho patético, desse a “última chave”. Isso não é só heresia — é insulto.
O evangelho verdadeiro não pede licença ao homem. Ele declara que Deus salva a quem quer, como quer e quando quer. O resto é poeira de filósofo de feira, sofisma de papista e sentimentalismo de púlpito pentecostal.
No fim, o Deus das Escrituras sempre será escândalo para os religiosos. E ainda bem. Pois somente um Deus que não cabe na lógica da carne pode ser o Deus que justifica o ímpio.

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