JUÍZO NÃO É PASSEIO FILOSÓFICO

 


Por Yuri Schein 

Quando lemos Romanos 1, encontramos uma das passagens mais contundentes da Bíblia sobre o juízo de Deus. Paulo não está aqui debatendo categorias abstratas ou a metafísica palaciana que fascinava os seguidores de Tomás de Aquino. Ele afirma, com a clareza de um raio, que Deus “os entregou” (Rm 1:24). E não, não é uma entrega passiva ou um gesto simbólico vazio, como alguns escolásticos que fingem entender o soberano se encantariam em dizer. Deus atua, e atua de modo direto e absoluto, até no ato de entregar o homem ao próprio pecado. Este não é um acidente da causalidade, não é um efeito colateral aristotélico de alguma “substância” misteriosa; é governo soberano, puro e simples.

O entendimento superficial de que Deus seria apenas um coadjuvante, permitindo que os homens se autodestruam, revela a pequenez de uma mente que confunde empirismo com revelação. Romanos 1 mostra o contrário: Deus é o ator principal, e o pecado humano, a ocasião escolhida por Ele para manifestar Sua justiça e glória. O que Paulo descreve não é uma cadeia de acidentes, mas o cumprimento de decretos eternos. Deus age, e agindo, revela Sua autoridade sobre cada coração rebelde.

Não precisamos inventar sofismas escolásticos para tentar encaixar a ação de Deus em categorias como “substância” ou “acidente”. O exemplo de Faraó (Êx 9:12; Rm 9:18) é claríssimo: o endurecimento do coração não é uma abstração; é Deus operando diretamente. O texto não pede, não sugere e não tem espaço para filosofias humanas que querem diluir a soberania divina em metáforas pseudo-empíricas. O juízo é direto, o decreto é eterno, e o homem é absolutamente dependente do ato soberano do Criador, seja para salvação, seja para condenação.

A lição é simples, mas ignorada por quem ainda se encanta com Aristóteles e Tomás: a ação de Deus é real, concreta e total. Quando Paulo fala de entrega ao pecado, ele não está filosofando: está proclamando que o Juízo divino é soberano e completo. Qualquer tentativa de torná-lo passivo ou “instrumental” é mera fuga intelectual da autoridade de Deus. O Juízo de Deus não é conversa metafísica para entretenimento de escolásticos, é uma realidade que consome, disciplina e revela a glória divina em toda Sua majestade. Quem quiser entender, que largue o tom aristotélico e olhe para a Escritura.

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