Por Yuri Schein
A metafísica aristotélica, que por séculos dominou o pensamento cristão via escolásticos como Tomás de Aquino, possui um vício fatal: a confusão ontológica entre criatura e Criador, entre causa secundária e causa primeira. A Causalidade Tomista, por mais que tente justificar a ação de Deus no mundo, falha ao supor que o efeito do agente criado tenha uma autonomia real. A criatura, em nível ontológico distinto, não é causa em relação a Deus; ela é apenas uma ocasião para que Deus exerça Sua vontade.
Gênesis 45:8 expressa esta verdade com clareza devastadora:
“Assim, NÃO FOSTES VÓS que me enviastes para cá, E SIM DEUS, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.”
O que vemos aqui é uma causalidade divina que não depende da intenção humana para se realizar. José podia planejar, conspirar ou temer, mas tudo foi manipulado por Deus para um fim soberano, independente das vontades humanas. Esse é o ponto que Aristóteles, e por consequência Tomás, jamais compreenderam: a criatura não é a fonte da causalidade, mas o veículo da manifestação da vontade divina.
✒️ O Controle de Deus é Distinto e Absoluto
Se quisermos um paralelo mais próximo da experiência humana, podemos comparar o controle de Deus com o de um escritor sobre sua obra. Salmo 139:16 diz:
“Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e ordenado, antes que algum deles existisse.”
Assim como o autor de um romance pode criar personagens que tomam decisões dentro da narrativa, Deus permite que criaturas ajam como se fossem livres, mas nenhuma ação escapa ao Seu controle. Aqui surge o conceito de causalidade secreta: imprevisível, sutil, mas inteiramente determinada por Deus — um controle invisível, comparável ao vento que sopra onde quer (Ec 11:5), imprevisível aos olhos humanos, mas sempre obediente à vontade do Criador.
🌍 A Causalidade de Deus Abrange Tudo
A ação de Deus não se limita a eventos grandiosos ou milagrosos. Ela envolve absolutamente todas as coisas: pensamentos falsos (Ez 14:9), intenções más (Ap 17:17) ou boas (2 Co 8:16), natureza má ou boa (Rm 9), atos maus (Is 63:17) ou bons (Is 26:12), e até mesmo o estilo de vida de cada indivíduo (Pv 16:9). Nada é casual. Nada escapa. Tudo é controlado de acordo com a sua natureza ontológica distinta e subordinada à vontade divina.
É fundamental entender que esta causalidade não é uma mera relação de eficiência ou um elo mecânico entre causa e efeito. Ela é ontológica, existencial, e toca todas as esferas: física, moral, intelectual, espiritual. A criatura age, mas Deus age em e através de todas as criaturas. É aqui que o escolasticismo falha: ao separar Deus das ações das criaturas como se houvesse um grau de autonomia real, ele dilui a soberania divina e transforma a causalidade em um mero artifício lógico.
🍂 Causalidade Secreta e Inescrutável
A imprevisibilidade humana não contradiz a ação de Deus; pelo contrário, a evidencia. O homem não consegue prever todos os eventos, mas Deus sempre cumpre Sua vontade. É a causalidade secreta, a que opera nos bastidores da história, tornando cada detalhe do mundo uma oportunidade para manifestar a glória divina. Cada plano, cada erro, cada ato de bondade ou maldade serve para o desdobramento do propósito soberano.
⚠️ Conclusão
A metafísica aristotélica e tomista falha ao tentar reconciliar a liberdade humana com a causalidade divina, pois não compreende que a criatura não é causa em sentido real, mas apenas ocasião para a ação de Deus. Cada pensamento, cada ato, cada intenção — seja boa ou má — é medido, controlado e direcionado pela mão soberana do Criador. Negar isso é cair na ilusão de que o mundo funciona por causas independentes ou mecanismos autônomos, ignorando Gênesis 45:8, Salmo 139, Romanos 9, e todas as Escrituras que testemunham que tudo existe e age segundo o plano de Deus, invisível, secreto, perfeito.
Deus não apenas permite, Ele causa; Deus não apenas observa, Ele controla; Deus não apenas escreve, Ele orquestra. A causalidade verdadeira, ontológica e absoluta, pertence somente a Ele.

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