Glow in the Dark: O Selo da Burrice

 


por Yuri Schein 

Então vamos lá: fatos. A tal da luciferase não é a assinatura secreta de Belzebu no mundo moderno. É uma enzima bioluminescente, a mesma responsável pelo brilho dos vagalumes. Cientistas a utilizam há décadas como marcador em pesquisas médicas e biológicas, porque ela facilita ver se uma substância foi aplicada ou absorvida. Nada mais que isso. Não tem chip, não tem demônio, não tem código 666 escondido em holograma. Só ciência básica com um nome que, convenhamos, foi uma péssima jogada de marketing. Chamar isso de luciferase foi dar munição grátis para toda seita de youtubers apocalípticos.

E sim, o nome é hilário. Os caras podiam ter batizado de “Glowzyme” ou “SparkleTech” e ninguém ligaria. Mas escolheram algo que soa como senha de ritual satânico de RPG. Resultado: um exército de teoristas acreditando que a vacina é a prévia do Armagedom, enquanto esquecem que passam o dia grudados em celulares que rastreiam cada suspiro deles.

Agora, quanto às profecias futuristas que se agarram a esse mito: indiferença total. O preterismo parcial me deixa em paz nesse circo. Enquanto alguns estão ocupados decifrando códigos no Apocalipse para o ano que vem, eu sigo tranquilo, sabendo que João não estava descrevendo um QR Code na testa, mas o Império Romano e seus delírios imperiais. Se você acha que Bill Gates é a Besta, parabéns: sua exegese é tão sólida quanto uma profecia maia de WhatsApp.

No fim, a luciferase não é o selo da besta. É só mais uma ferramenta de laboratório com um nome infeliz. O verdadeiro “selo” aqui é a marca registrada da ignorância humana: transformar biologia em fanfic satânica.


Comentários