por Yuri Schein
Chamamos de “loucos” aqueles que não se encaixam nos padrões que estabelecemos. Rimos de suas falas desconexas, julgamos seus gestos estranhos, e os afastamos como se fossem meros fardos da sociedade. Mas raramente paramos para enxergar que, muitas vezes, essa “loucura” não é doença, nem sequer desvario, mas um grito abafado contra uma realidade que pesou demais sobre ombros frágeis.
A mente humana, quando pressionada além de seus limites, busca saídas. Alguns encontram na arte, outros na fé, outros ainda nos vícios. E há aqueles que se refugiam no mundo interior, criando um espaço próprio onde a dor não é tão cruel e onde o peso da existência pode ser esquecido, ainda que por instantes. O que chamamos de “loucura” pode, na verdade, ser o último recurso de sobrevivência diante da indiferença do mundo.
A sociedade, porém, tem pressa em rotular. É mais simples classificar alguém como insano do que admitir a falência coletiva em cuidar dos que sofrem. Esquecemos que cada olhar perdido traz consigo uma história de perdas, que cada palavra sem nexo pode ser uma oração quebrada, que cada gesto inesperado pode ser um pedido de socorro.
O erro está em confundir dor com fraqueza. O coração esmagado pela vida não enlouquece por escolha, mas por necessidade. Se não entendermos isso, seremos cúmplices de um sistema que prefere julgar a acolher, que prefere marginalizar a estender a mão.
Portanto, antes de chamar alguém de “louco”, pense: e se fosse apenas um ser humano como você, tentando suportar o insuportável? Talvez a verdadeira loucura esteja em nós, que enxergamos tristeza e a chamamos de espetáculo, que vemos sofrimento e o rotulamos como anomalia. O mínimo que se espera de quem ainda não sucumbiu é compaixão. Afinal, a mente que hoje foge pode ser a nossa amanhã

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