Dino, Baby e a Tirania Digital

 


Por Yuri Schein

Na série da Família Dinossauro, tem um episódio em que Baby repete uma palavra indecente da TV. Dino se assusta e, como todo pai zeloso que se deixa seduzir pela ilusão do controle, inicia uma campanha para “proteger” as crianças. Até aqui, nada de errado. Mas, como sabemos, quando Dino assume o papel de legislador moral, a coisa degringola: palavras são proibidas, comportamentos são regulados, e a preocupação parental vira censura estatal. E, claro, há figuras contemporâneas com o mesmo sobrenome que parecem adorar essa função. Coincidência? Talvez. Mas a ironia é deliciosa.

O episódio de A Família Dinossauro é uma sátira cruel do que vemos hoje nas redes sociais e em regimes totalitários: filtros, bloqueios, algoritmos que decidem o que podemos ler, falar ou pensar: tudo em nome da “proteção” da sociedade ou da “educação do público vulnerável”. O resultado? Uma população infantil e adulta treinada a depender do Estado, da mídia ou de plataformas digitais para decidir o que é certo ou errado.

A moral da história é cristalina: censura nunca educa. Apenas cria exageros, absurdos burocráticos e dependência de autoridades externas. A educação moral, o discernimento e o caráter são responsabilidades humanas: da família, da comunidade, do indivíduo, e não de Dino, da TV ou de governos travestidos de zeladores digitais.

Se Dino/Baby nos ensinam algo, é que liberdade e educação caminham juntas. Quem tenta substituir pais e professores por algoritmos e decretos, por mais bem-intencionado que pareça, está pavimentando o caminho da tirania, com sorriso paternalista no rosto. E a próxima geração, coitada, aprende palavras sem pensar e a obedecer ao dedo censurador do Estado.

No fim, proteger crianças não é proibir palavras — é ensinar a discernir, a pensar e a resistir à sedução do controle. Mas Dino parece precisar de um bom manual de paternidade… ou de liberdade.

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