Debate com Católico. Tema: Purgatório

 



José (católico devoto):

O purgatório é uma doutrina consoladora. Nem todo mundo morre pronto para entrar no céu, mas também nem todos são maus a ponto de ir para o inferno. O purgatório é essa etapa intermediária de purificação.


Yuri Schein:

Ah sim, o famoso meio-termo cósmico. O sujeito passa a vida inteira acreditando que Cristo é o Salvador, mas no fim precisa de uma “lavanderia celestial” para que o sangue de Cristo finalmente funcione. Ou seja: Jesus morreu, mas só quase salvou. É tipo uma promoção inacabada: “leve a salvação, pague o purgatório”.


José:

Não, não. O purgatório não diminui o sacrifício de Cristo, ele apenas aplica essa purificação necessária.


Yuri Schein:

Então Cristo não purifica? Interessante. Ele “apenas começou a obra”, mas quem termina é o fogo purgatorial, uma espécie de estagiário do Espírito Santo. Paulo disse que estamos “completos em Cristo” (Cl 2:10), mas Roma responde: “completos, mas ainda faltando uns 300 anos de sauna espiritual”.


José:

Mas a Bíblia fala em fogo purificador, em 1 Coríntios 3:15, que alguns serão salvos “como pelo fogo”.


Yuri Schein:

José, parabéns por citar o texto que prova exatamente o contrário do purgatório. Paulo fala de obras queimadas, não de pessoas torradas. O homem é salvo, as obras se vão. É curioso como Roma lê a Bíblia: Paulo diz “obras queimadas”, vocês entendem “almas em brasa”. É a mágica da hermenêutica criativa: transformar palha em purgatório.


José:

Mas a tradição da Igreja confirma!


Yuri Schein:

Claro! Se não está na Escritura, inventa-se uma tradição. É assim que funciona: quando falta Bíblia, sobra fumaça. Cristo disse “Está consumado” (Jo 19:30). Roma acrescenta: “Está consumado… depois do purgatório, talvez”.


José:

Mas não é justo que um pecador arrependido vá direto ao céu, sem antes ser purificado?


Yuri Schein:

Ah, então o sangue de Cristo é injusto, porque cobre pecados imediatamente. Segundo sua lógica, a graça de Deus é um escândalo. Aliás, parabéns: você acabou de refutar a cruz, Paulo, Lutero, Calvino e o próprio Cristo com um raciocínio digno de burocrata celestial: “carimbar, esperar, pagar taxa e só então entrar no paraíso”.

José: 

Mas os Padres da Igreja criam no purgatório…

Yuri Schein:

E os apóstolos criam em quê? Nunca mencionaram esse spa das almas. Engraçado, Pedro não pregou: “Arrependei-vos e ide para o purgatório” (Atos 2:38). João não escreveu: “Se andarmos na luz, o fogo intermediário nos purificará” (1 Jo 1:7). Mas tudo bem, vamos substituir a Escritura por uns senhores com toga latina que, por coincidência, também vendiam indulgências.

José:

Mas isso é zombaria!

Yuri Schein:

Não, meu caro. Zombaria é chamar de “boa nova” uma doutrina que basicamente diz: “Cristo te salva, mas não salva muito”. O purgatório é a versão teológica do “pague 2, leve 1”: paga com obras, rezas e missas, e quem sabe você escapa.


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