A Terra sem forma e vazia: o homem antes da Regeneração

 


Por Yuri Schein 

Quando Gênesis descreve: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gn 1:2), não temos apenas uma narrativa cósmica, mas também uma metáfora teológica da condição humana. Assim como o mundo primitivo estava mergulhado em caos, trevas e ausência de ordem, assim também está o homem sem Deus: vazio, confuso, escravo da escuridão espiritual (Ef 2:1-3).

O Espírito que pairava sobre as águas é o mesmo Espírito que hoje paira sobre corações mortos, trazendo vida onde só havia desolação. A regeneração é descrita como criação: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2Co 5:17). O caos interior é transformado em cosmos espiritual, e a luz que no princípio rompeu as trevas é a mesma que resplandece “no coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (2Co 4:6).

Antes da intervenção soberana de Deus, o homem é deserto e vazio, sem direção, incapaz de produzir fruto para a eternidade. Mas pela Palavra criadora e pelo Espírito vivificador, o caos se torna ordem, a morte se converte em vida e o abismo é vencido pela luz. A narrativa de Gênesis é mais que um registro histórico: é o padrão do agir divino. Do nada, Ele cria. Do caos, Ele organiza. Do morto, Ele faz nascer de novo. “Pois nós somos feitura dele, criados em Cristo Jesus...” (Ef 2:10).


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