“Por que não lançam um God of War África-Brasil, onde o Kratos sai eliminando todos os deuses das religiões locais?
Por Yuri Schein
Engraçado como a liberdade criativa parece ter fronteiras invisíveis. Kratos pode massacrar os deuses gregos, nórdicos, egípcios, e tudo bem. É mitologia, é fantasia, é arte. Mas quando alguém sugere um God of War África-Brasil, onde o protagonista enfrenta entidades das religiões afro-brasileiras, aí vira tabu. “Ah, mas é diferente, essas religiões são marginalizadas.” E daí? Desde quando marginalização impede representação?
O problema não é a ideia em si, é o duplo padrão hipócrita. A mitologia europeia pode ser reinterpretada em nome do entretenimento. Já as mitologias afro-brasileiras são blindadas por um escudo de “respeito seletivo”, que mais parece medo de lidar com o desconforto. Por que essas figuras não podem sequer existir num universo que abraça o confronto mitológico como narrativa?
A mídia escolhe o que pode ser lúdico e o que deve ser sagrado. E nessa escolha, revela seus preconceitos. O neopaganismo pode ser explorado porque é “exótico, mas europeu”. Já o Candomblé e a Umbanda são “delicados demais”, como se fossem porcelanas identitárias que não podem ser tocadas. De acordo com os próprios padrões usados pelos pós-modernos, isso seria chamado de segregação estética.
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