NieR: Automata e o Delírio Existencialista: Uma Crítica Pressuposicional

 


Por Yuri Schein 

NieR: Automata é celebrado por muitos como uma obra-prima filosófica dos videogames. Ele apresenta um mundo pós-apocalíptico onde androides e máquinas se confrontam em uma guerra interminável, e personagens como 2B, 9S e A2 questionam sua própria consciência, propósito e existência. Para o espectador moderno, imerso no existencialismo e no niilismo, a narrativa parece profunda. Para o teólogo e filósofo reformado, a história é um repositório de heresias filosóficas e antropológicas, glorificação de falsas premissas sobre autonomia, consciência e sentido da vida.

A Ilusão da Consciência Artificial

O jogo sugere que androides, máquinas programadas para cumprir ordens, possam desenvolver consciência própria, autonomia moral e até propósito existencial. Este é um equívoco metafísico profundo. A Escritura afirma que apenas seres criados à imagem de Deus possuem alma racional, capazes de consciência e julgamento moral verdadeiro. Máquinas e programas, por definição, são criaturas puramente funcionais, sem agência ontológica.

A impossibilidade de consciência moral em máquinas

P1: Apenas seres dotados de alma racional podem ter consciência moral genuína.

P2: Máquinas e programas não possuem alma racional.

Conclusão: Máquinas e androides não podem ter consciência moral genuína.

Portanto, a ideia de que máquinas podem “escolher” livremente é uma ficção antropomórfica, projetando arrogância humana em meros autômatos. É, essencialmente, orgulho tecnológico travestido de filosofia.

Livre-arbítrio e Determinismo

NieR: Automata explora o tema do livre-arbítrio: os androides tentam escapar de seu destino programado. No entanto, o jogo ignora a verdade metafísica cristã: toda criatura, incluindo o ser humano, só atua sob os decretos imutáveis de Deus, estamos predestinados e não há livre arbítrio, Vincent Cheung diria que: cada ação, por mais autônoma que pareça, é uma ocasião causada pela vontade divina.

Quanto a isso, podemos fazer esse silogismo sobre livre-arbítrio em NieR

P1: Toda causalidade real está subordinada à vontade de Deus.

P2: Androides agem apenas dentro de parâmetros programados e limites de sua existência.

Conclusão: Androides não possuem livre-arbítrio real; qualquer escolha aparente é ilusão.

Assim, o drama existencial das máquinas é simplesmente farsa metafísica, projetando dilemas humanos em seres incapazes de verdadeira agência.

O Sentido da Vida e o Niilismo Tecnológico

O jogo mergulha em existencialismo niilista, sugerindo que, diante do ciclo interminável de guerra e destruição, a vida carece de propósito. Aqui surge o erro mais grave: NieR substitui Deus, causa metafísica real e finalidade última, por um vazio ontológico. Como observam Cornelius Van Til e John Frame, qualquer tentativa de construir sentido fora de Deus é auto-contraditória, porque pressupõe um padrão objetivo de valor sem reconhecer a autoridade divina.

Sobre sentido e valor na narrativa podemos fazer o seguinte silogismo:

P1: Valores objetivos e propósito só existem em relação a Deus.

P2: NieR nega ou ignora Deus como fonte de propósito.

Conclusão: O sentido de vida apresentado no jogo é ilusório e niilista.

Portanto, toda a busca de 2B, 9S e A2 por “propósito” fora de Deus é drama vazio, refletindo o absurdo humano, mas não correspondendo à realidade ontológica.

Orgulho Humano e Fantasia Filosófica

NieR: Automata é, no fundo, uma glorificação do orgulho humano: a máquina tenta ser humana, a humanidade tenta ser deusa, e a narrativa celebra a autonomia aparente como virtude. A crítica pressuposicional aponta que toda tentativa de substituir Deus por tecnologia, consciência artificial ou autonomia moral é incoerente e herética. Como reforçam Frame e Cheung, sem Deus, não há moral, não há sentido, não há consciência verdadeira, apenas ilusões projetadas em matéria sem alma.

Silogismo sobre o Orgulho e incoerência apresentados no jogo

P1: Apenas Deus confere autoridade, moralidade e propósito.

P2: A máquina tenta exercer autoridade, moralidade e criar propósito.

Conclusão: A máquina age de maneira incoerente; sua “filosofia” é ilusão.

NieR: Automata, embora brilhante artisticamente, é uma obra que glorifica o niilismo, o existencialismo e a autonomia tecnológica, todos conceitos profundamente incompatíveis com a soberania divina e a metafísica bíblica. Máquinas conscientes? Livre-arbítrio sem Deus? Sentido da vida fora de Deus? São fantasias que servem para entretenimento, mas não sobrevivem a uma análise teológica ou filosófica consistente.

Em suma: o jogo é um estudo sobre o orgulho humano e o desejo de ser deus, projetado em autômatos. A realidade, no entanto, permanece: Deus é soberano, sustenta toda a criação, e nenhuma máquina, programa ou fantasia existencial pode escapar de Suas leis ou criar valor sem Ele. NieR: Automata fascina, mas falha como filosofia.

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