Yuri Schein
Vivemos na era dos cristãos desarmados. Gente que cita Jesus, mas teme ser parecida com Ele. Gente que fala de amor, mas nunca fala de verdade. O púlpito moderno trocou a espada por almofadas. E agora o rebanho dorme em paz, enquanto os lobos fazem vigília.
As Escrituras dizem que “a palavra de Deus é espada afiada de dois gumes” (Hebreus 4:12). Mas o que é uma espada nas mãos de um covarde? É apenas um enfeite litúrgico. Por isso, muitos hoje não pregam mais a verdade — eles a enfeitam. Preferem ser “aceitos” do que fiéis. Preferem o conforto da aprovação humana à ferida da convicção divina.
A Igreja dos apóstolos era perseguida por causa da verdade. A Igreja dos influenciadores é seguida por causa da aparência. O que antes custava sangue, agora se mede em curtidas. Mas o Evangelho não foi feito para a estética dos templos modernos; foi feito para rasgar corações, quebrar ídolos e reconstruir consciências sob o domínio de Cristo.
Enquanto o mundo prega a liberdade do pecado, a Igreja moderna prega o evangelho da conveniência: um Cristo que não exige arrependimento, um Espírito Santo que não santifica, e um Deus que não se ofende com nada. Chamam isso de “graça”, mas é anestesia.
Os profetas antigos falavam com fogo nos ossos. Hoje, os pregadores falam com medo no estômago. Têm pavor de serem “duros”, mas não têm medo de serem inúteis. Esquecem que o mesmo Jesus que perdoou a adúltera também chamou os fariseus de filhos do diabo.
Não há como servir ao Deus da Verdade e continuar sendo um diplomata da mentira. O Evangelho não precisa de retoques — precisa de coragem.
Cristãos desarmados são o sonho de Satanás: gente que não nega a Bíblia, mas também não a lê; que não rejeita Cristo, mas também não o segue; que não odeia o pecado, apenas o administra.
Talvez seja hora de recuperar a postura dos reformadores — não os que usavam becas, mas os que tinham colunas vertebrais. Porque o mundo precisa ver, mais uma vez, que a Palavra de Deus não é um acessório de fé, mas a própria espada do Rei.
E quem empunha essa espada não pede licença para falar — apenas fala.
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