Por Yuri Schein
Se existe uma doutrina que arranca lágrimas dos “teólogos da autoestima”, essa doutrina é a eleição incondicional. Eles até engolem a ideia de um Deus que “ama todo mundo igual”, como se o Criador do universo fosse um hippie cósmico distribuindo flores em Woodstock celestial. Mas falar que Deus escolhe uns e rejeita outros? Ah não! Isso já é demais para a frágil constituição emocional dos devotos da “teologia terapêutica”.
O mais engraçado é que a Bíblia não pediu permissão para esses ofendidos profissionais. Paulo não abre Romanos 9 com um “gente, não me cancelem, por favor, mas Deus tem misericórdia de quem quer ter, e endurece a quem Ele quer”. Não. Ele simplesmente atropela o leitor com a lógica divina: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?” (Rm 9.20). Paulo não tinha paciência para grupinhos de estudo pós-modernos, tinha paciência só para demolir vaidades religiosas.
A eleição incondicional é o quê? É exatamente o que a palavra diz: Deus escolheu sem condição nenhuma em você. Não foi porque você era fofinho, nem porque Ele “viu que você iria crer”. Essa última desculpa é hilária: como se o Deus eterno fosse fazer spoiler de um filme chamado “Sua Vida” e depois decidir com base no que viu na tela. Ora, se Ele precisa assistir para saber, já não é onisciente. E se você determina a escolha dEle com sua decisão, então a eleição é condicional, e Deus não é mais soberano, Ele é apenas o caroneiro das tuas escolhas.
Calvino já dizia: “A eleição não depende do mérito humano, mas do conselho eterno de Deus.” Em outras palavras: aceite ou chore. Aliás, chore mesmo, porque a maioria dos homens chora nesse ponto. Eles preferem um deus manco, refém do livre-arbítrio humano, porque isso massageia o ego. A soberania divina, ao contrário, humilha. Ela esfrega na tua cara que você não é protagonista, você é barro.
E como todo bom barro, a criatura sempre acha injusto o Oleiro moldar vasos diferentes. Mas Paulo já antecipou a choradeira: “Ou não tem o oleiro poder sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Rm 9.21). Esse texto é praticamente uma vacina contra a teologia sentimental.
No fim, a eleição incondicional só é odiada por quem ama demais a própria autonomia imaginária. Os filhos de Adão não suportam a ideia de que o único fator determinante da salvação é o capricho soberano de Deus. Mas para os eleitos, essa doutrina é mel puro: se a escolha depende só dEle, então nada pode frustrar o Seu decreto.
O resto? Bem, o resto é apenas o público-alvo da ira divina, caminhando orgulhosamente para o inferno enquanto canta o hino da liberdade: “Eu tenho livre-arbítrio!” — só não percebem que foi Deus quem escreveu até a melodia dessa falsa autonomia.

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